O objectivo central deste blog é o de ser um instrumento de reflexão sobre a evolução da realidade sócio-económica e política e; um meio de armazenamento de informação relevante sobre essa mesma realidade. A "linha editorial" a seguir assentará na crença de que permanecem válidos os princípios do socialismo democratico e da social-democracia. Finalmente, um outro objectivo será o de se elaborarem breves apontamentos sobre diversas artes, tais como a pintura e a música.

domingo, 15 de março de 2009

Esperança I

Ontem no início da noite, uma simples conversa de café com dois amigos, levou-me a pensar após muitos meses de descrença que, as coisas, mais tarde ou mais cedo, acabarão por mudar e melhorar.

Os princípios da liberdade individual, da igualdade e da fraternidade não são algo estranho à nossa cultura e à maneira de ser do povo português. A esse propósito, e na sequência da nossa conversa, recordei a aldeia de meu pai (Anhões), no alto Minho (concelho de Monção, distrito de Viana do Castelo), há quarenta anos atrás.

As pessoas ali viviam em comunidade, observando/seguindo um conjunto de comportamentos/regras que ainda hoje me impressionam:

a) todos procuravam respeitar a liberdade uns dos outros e não intervir indevida/abusivamente na vida de terceiros, sendo acarinhadas/apoiadas as tentativas individuais de melhorar de nível de vida e aceite, em grande medida, que "a cama que fizeres será a cama em que te deitarás";
b) eram manifestamente não aceites situações de favorecimento e manifestações de soberba ou prepotência, as quais geravam sempre que ocorriam reacções mais ou menos violentas (pelo menos em termos verbais) por parte dos aldeões;
c) grande parte dos trabalhos do campo eram realizados colectivamente, por todos, muito embora estivessem em causa produções "privadas" levadas a cabo em pequenas parcelas de terreno de propriedade individual, sendo exponte máximo desta tradição as vindímas, o pisar da uva e as celebres desfolhadas.

Este espírito, esta maneira de ser e de estar, permanece vivo na actualidade apesar da "fuga" dos campos e da (ida para outros países e/ou) vinda das populações para as cidades. Na vida do bairro onde vivo, no convivio com vizinhos e em conversas de café, é possível apercebermo-nos e, mais do que isso, sentirmos, a sua presença.

O portugueses não são, na sua esmagadora maioria, apáticos e auto-centrados. São, pelo contrário, pessoas que se preocupam com o seu futuro e o dos seus filhos, bem como com a nossa vida colectiva (muito embora tal não seja frequentemente visível, dada a inexistência de vias/meios de expressarem as sua preocupações).

Com um povo assim, as coisas mais tarde ou mais cedo terão necessariamente que mudar e, consequentemente, melhorar.

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